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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Canibalismo e frieza societária x amor incondicional

Muitas coisas são maravilhosas na vida: as risadas dos seus primos, tios, o conviver em uma família que te ama e que não te cobra de nada, o cheiro do cabelo da sua filha, e o sorriso da pequena ao abrir a cortina da sala :)
São maravilhas também  poder tomar café quentinho rodeado de uma boa conversa com amigos verdadeiros, ou com queridos membros antigos da familia, (prosas que tomo nota em detalhes mentalmente para que nada se perca!)
Maravilhoso é conhecer novos lugares, novos países, novas culturas, novas comidas, novas pessoas. Amo conhecer pessoas.
Perceber pelas cores utilizadas em seus artesanatos/artes o que tem por trás de uma cultura toda e como ela se relaciona com os demais da sociedade.
Todas essas coisas são únicas para cada um de nós que tornam nossa experiência de vida singular e diferente, de acordo com a bagagem que tivemos e temos.
Por outro lado, existem coisas na vida que somos obrigados a vivenciar no decorrer da jornada. Essas vivências nem sempre são boas como gostaríamos que fossem.
Outro dia recebi um email com uma frase fria e nada acolhedora frente a uma situação trágica e triste a qual estou tendo que passar: " todos nós temos que carregar nossas penas"...  
Em um primeiro momento fiquei chocada frente a frieza dessa pessoa que era tão próxima (penso que deixou de se-la por completo, neste instante..). Em um segundo momento pensei: ele se diz cristão.Bom, para mim, Cristo já carregou meu julgo, ou " minhas penas"  na cruz ...
E por fim medito: Como é difícil hoje em dia as pessoas não somente demonstrarem, mas verdadeiramente sentirem amor uma pelas outras. 
Porque sentir amor nada mais é do que se colocar no lugar, se preocupar, (ninguém está pedindo em carregar pena de ninguém, pelo contrário!), mas ser ouvido, amparado, escutado, apoiado.
A sociedade cada vez mais egoísta e canibalista enxerga o próximo como seu concorrente voraz. " Não carrego nada de ninguém", não carrego  som da sua voz sequer!.... 
A mentira virou uma prática usual não somente de esconder a verdade, mas de esconder-se de si mesmo com medo de enfrentar a sua realidade, enfrentar-se a si mesmo!.... Todavia, o mantra autodestrutivo para essas pessoas é: " carrego minhas penas".
Sim, vivemos num mundo lindo, criado com coisas perfeitas, mas sim, vivenciamos desafios que muitas vezes não entendemos com nossas mentes e olhos humanos. E essas coisas que não alcançam o nosso entendimento secular, são somente entendidos se  vistos sob o prisma da fé.
Sem a fé em Deus não conseguimos entender como pessoas que amamos tanto tem que passar por determinadas situações. Não cabe na minha vida um "dar de ombros". Ou se ama, ou não se ama. Como diz a musica: Ain´t no Mountain high enough. E é assim como eu me sinto em relação as pessoas que eu amo, principalmente a uma em especial de olhos verdes fabulosos.




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Finados...
A princípio, como protestante, sempre achei estranho o cultuar pessoas que já se foram... Hoje percebo que talvez seja um "tratamento" quanto a saudade, se é que para ela exista algum tratamento?!
Sábado passado fui ao burburinho enlouquecido da 25 de março ( rua  e arredores que possui de tudo um pouco mais para fazer qualquer tipo de artcrafts) e em meio a escolha por tecidos cute, uma senhora ao meu lado em meio as escolhas por combinações de cores me contou sobre sua vida... Ouvi o que a senhora dizia como se a conhecesse ha anos. Triste foi quando me disse que havia perdido seu filho de 12 anos há 3 meses e mais ainda quando sacou a foto e me mostrou um menino bonito, com cachinhos cor de doce de marmelo... Fiquei pensativa tentando me colocar na dor daquela mãe que lutou com seu filho por anos contra uma leucemia para depois, após o tratamento, Deus abrigá-lo sob Suas asas...
Conversei com a senhora por alguns minutos (já não conseguia escolher os tecidos frente ao teor da conversa. Somente remexia na banca sem conseguir ver as cores vivas que dali brotavam) que partiu um pouco mais leve e com um sorriso terno ao poder dividir com uma desconhecida sua tristeza...
Isso me fez pensar quantas pessoas carecem de serem ouvidas, somente ouvidas....
Três dias após, estava eu na sala de espera do dentista com duas senhorinhas que me cumprimentaram ao me sentar. Pensei: Ai que bom! Vou poder colocar meus emails em dia e o meu crochet... Pequei meu celular (que odeio, mas confesso que ele eh indestrutível frente aos inúmeros vôos rasantes que ele dá) e comecei a responder os emails mais urgentes.O dentista chamou uma delas e tão logo ela entrou a outra começou a me perguntar coisas... Fui respondendo a medida que me perguntava, mas confesso que não dei muita atenção porque precisava terminar de responder aos emails e queria ainda fazer um pouquinho de crochet... Não adiantou. A velhinha bondosa me interpelou novamente dizendo: "Me desculpe lhe perguntar tantas coisas assim,  mas é que você tem cara que sabe das coisas e me pode ajudar..." Pensei: "JESUS! Você me apronta cada uma hein?! Não vou poder fazer meu crochet né?! Ok, Ok, Ok...." E frente a fala da senhorinha, guardei o recém crochet tirado da bolsa e a ajudei com inúmeras dúvidas sobre o sistema de saúde e sobre sua tia que estava em coma e não tinha acesso ao SUS... Pequei o celular "abençoado" e pesquisei para a senhoria todos os documentos que ela precisava tirar para sua tia... Tão logo sai a velhinha de dentro do consultório entrou a que estava comigo na sala de espera.... Pensei: AH! Meu Crochet!... Não..... Não.... Meu  Hat Pot lilás voltou para a bolsa ao ouvir a senhora passar mal ao ver na tv um caixão... E lá se foi minha espera no dentista....
A senhorinha que se chamava Helena me contou que não podia ver ainda caixões porque havia perdido sua filha de 50 anos de idade... E me contou o como sua filha teve uma vida sofrida e o como ela foi internada por 30 vezes em sanatórios mentais antes de sucumbir...
Fiquei comovida com a D. Helena. Senhora forte de espírito e alma, que por várias vezes teve que sair em busca de sua filha (que segundo ela era bi-polar, mas para mim era esquizofrênica segundo o que ela me contou) nas ruas de São Paulo. Me contou que ela surtou após o seu genro ter falecido subitamente... Boa mãe, sua filha criou os dois filhos que hoje já são casados e com bons empregos.
Após a morte de sua filha em março em um hospital psiquiátrico, D. Helena teve cancer na sola dos pés e trata depressão...
Conversei com a senhora dizendo que ela precisava se cuidar, porque a plenitude de Deus em nossas vidas é aqui e agora. Que ela deveria procurar coisas interessantes para fazer (ela me disse que estava fazendo Tai-chi.. Odeio Tai-chi, mas já era alguma coisa) e que deveria frequentar uma comunidade para a Melhor idade como também estar junto de uma boa igreja, fosse protestante ou católica, mas que deveria pedir aconselhamentos pastorais até porque essa é a função deles...
Soube de cada detalhe de cada internação de sua filha. Soube todas as buscas que essa senhora teve que fazer junto com a família.
A outra senhorinha saiu da sala dizendo: Moça! Como você é uma bênção! Gostei de você! E D. Helena, foi dizendo, você me ajudou muito viu?
Entre um sorriso de até mais, uma lágrima furtiva escorreu a tempo delas não verem. Pensei: Meu Pai Amado! Como as pessoas são carentes de um ombro amigo e de poder compartilhar suas histórias de vida...
Desafio aqui, a vocês leitores, em deixar ser parte da vida de alguém por alguns instantes na semana e perceber o quão maravilhoso é poder ser instrumento nas mãos de Deus.
Shalon